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Nestas ilhas as horas passam mais rápidas do que em outra qualquer parte
do mundo. Numa zona descampada, batida pela terra, dezenas de
Gaivotas-Argênteas levantam voo, confiantes, vocalizando sons de
vantagem sobre os pobres terrestres, desenhando círculos confusos por
cima das nossas cabeças, numa tentativa vã de adivinhar os nossos
pensamentos. Hora de regressar. |
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A
bravura do mar, tornou-se serena, o manto azul à nossa volta parece um
lençol, estamos do lado Oeste da Deserta Grande. O passeio ao largo do
Tabaqueiro é irresistível, inúmeros avistamentos de Lobos-marinhos
constam, nesta zona, nos registos da biblioteca da estação. A chave do
motor roda para o lado esquerdo. O patrulhamento travesso a que nos
deleitáramos é interrompido com o silêncio do bote barulhento, alguns
momentos investidos, no célebre Tabaqueiro, resultam infecundos.
Parecemos dois ladrões imobilizados pela expectativa, à espreita de uma
oportunidade. Surge-me na memória os dois Lobos cinzentos e envaideço-me
de como a sorte estava do meu lado nesse dia. Durante todo este tempo de
afonia, olhando em direcção às grutas algo espreita exactamente por trás
de nós.
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