Parque Natural da Madeira

 

Vigilante das Ilhas Desertas

Diário de José Manuel Pestana

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Nestas ilhas as horas passam mais rápidas do que em outra qualquer parte do mundo. Numa zona descampada, batida pela terra, dezenas de Gaivotas-Argênteas levantam voo, confiantes, vocalizando sons de vantagem sobre os pobres terrestres, desenhando círculos confusos por cima das nossas cabeças, numa tentativa vã de adivinhar os nossos pensamentos. Hora de regressar.

   
 

   
     
 

A bravura do mar, tornou-se serena, o manto azul à nossa volta parece um lençol, estamos do lado Oeste da Deserta Grande. O passeio ao largo do Tabaqueiro é irresistível, inúmeros avistamentos de Lobos-marinhos constam, nesta zona, nos registos da biblioteca da estação. A chave do motor roda para o lado esquerdo. O patrulhamento travesso a que nos deleitáramos é interrompido com o silêncio do bote barulhento, alguns momentos investidos, no célebre Tabaqueiro, resultam infecundos. Parecemos dois ladrões imobilizados pela expectativa, à espreita de uma oportunidade. Surge-me na memória os dois Lobos cinzentos e envaideço-me de como a sorte estava do meu lado nesse dia. Durante todo este tempo de afonia, olhando em direcção às grutas algo espreita exactamente por trás de nós.

 

   

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Copyright João Olival & Paulo Roldão, last update: terça-feira, 07 de Fevereiro de 2006.