Parque Natural da Madeira

 

Vigilante das Ilhas Desertas

Diário de José Manuel Pestana

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Nasce um novo dia. Cerca de quarenta minutos de navegação desde a Doca é fundeado o semi-rígido no Ilhéu Chão. Luís Ferro é o meu único acompanhante de aventuras. Uma subida fadigosa antecede uma outra aparição. No topo, um autêntico campo de futebol, de 1.600 metros de comprimento e 500 metros de largura, que o tempo abandonara há milhares de anos, cujo relvado enfurecido dera origem vingativamente aos agrestes e ásperos arbustos que ali proclamam existência. As claques constituídas por centenas de Canários silvestres acastanhados e de peito amarelo, confraternizam com os Corre-Caminhos cor da terra que a pisam numa correria louca sem destino, ambos fogem, ora curiosos fazendo voos planados, ora amedrontados num chicotear rápido de asas com o aparecimento de dois vigilantes.

   
 

   
 

 

Lá ao fundo, a 98 metros de altura, a norte do Ilhéu, magnificente e imperioso sobressai a figura imponente de um farol. O seu olhar velho, deixa transparecer o domínio de um conhecimento de tudo à sua volta. Basta vê-lo e imaginam-se as histórias de tormentas e desacatos temporais que lhe foram conferindo o seu aspecto sábio ao longo das cíclicas estações. Desde o seu alto vê-se lá em baixo talvez maior do que o imaginara, o Prego do Mar, uma figura escura no meio de azul, esguio e afiado contra o céu, parecendo lutar arduamente para sair da água e mostrar-se ao mundo. Os seus 50 metros de altura acrescentam um pormenor indispensável à paisagem que o circunda.

 

   
 

 

   

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Copyright João Olival & Paulo Roldão, last update: terça-feira, 07 de Fevereiro de 2006.