















 |
|
Nasce um novo dia. Cerca de quarenta minutos de navegação desde a Doca é
fundeado o semi-rígido no Ilhéu Chão. Luís Ferro é o meu único
acompanhante de aventuras. Uma subida fadigosa antecede uma outra
aparição. No topo, um autêntico campo de futebol, de 1.600 metros de
comprimento e 500 metros de largura, que o tempo abandonara há milhares
de anos, cujo relvado enfurecido dera origem vingativamente aos agrestes
e ásperos arbustos que ali proclamam existência. As claques constituídas
por centenas de Canários silvestres acastanhados e de peito amarelo,
confraternizam com os Corre-Caminhos cor da terra que a pisam numa
correria louca sem destino, ambos fogem, ora curiosos fazendo voos
planados, ora amedrontados num chicotear rápido de asas com o
aparecimento de dois vigilantes. |
|
|
| |
 |
|
|
| |
Lá
ao fundo, a 98 metros de altura, a norte do Ilhéu, magnificente e
imperioso sobressai a figura imponente de um farol. O seu olhar velho,
deixa transparecer o domínio de um conhecimento de tudo à sua volta.
Basta vê-lo e imaginam-se as histórias de tormentas e desacatos
temporais que lhe foram conferindo o seu aspecto sábio ao longo das
cíclicas estações. Desde o seu alto vê-se lá em baixo talvez maior do
que o imaginara, o Prego do Mar, uma figura escura no meio de azul,
esguio e afiado contra o céu, parecendo lutar arduamente para sair da
água e mostrar-se ao mundo. Os seus 50 metros de altura acrescentam um
pormenor indispensável à paisagem que o circunda.
|
|
|
| |

|
|
|
|