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Nasce um novo e último dia. Diferente de todos os outros.
Inacreditavelmente, a minha estadia como Vigilante voluntário nas Ilhas
Desertas, nas maravilhosas Ilhas Desertas, chegara ao fim. Ao longe o
vulto do “Cunene” acentua a tristeza da partida e revigora, ainda mais,
a saudade de alguém que ficara no cais da baía do Funchal. A rendição é
concluída às duas horas da tarde do dia vinte e dois de Setembro, e
seguimos rumo ao ponto de partida da maior aventura da minha vida. Desta
vez o mar não poderia estar mais calmo, toda a viagem de regresso é
ocupada com as surpreendentes e magníficas recordações que retive ao
longo destas duas semanas inolvidáveis. Para trás ficaram as maravilhas
das Ilhas, as escarpas do Bugio e as suas ágeis Cabras Prê-Hispânicas,
as magníficas montanhas e vales da Deserta Grande e o vulto negro das
suas Tarântulas, o extenso planalto do Ilhéu Chão e o velho Farol, ficam
para trás o mergulho dos Lobos-Marinhos, o canto dos Canários
Silvestres, as correrias dos Corre-Caminhos, a inocência das pequenas
Almas-Negras, o voo dos Garajaus e a magia dos serões na estação da Doca
sobre as histórias das Ilhas ao som encantador do pio das Cagarras.
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“A utilização dos lobos-marinhos, vivos e de sua cor,
simboliza a homenagem da Região aos únicos grandes mamíferos aqui
encontrados (...), e integra-se no esforço geral desenvolvido para a
preservação ecológica.”
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