Parque Natural da Madeira

 

Vigilante das Ilhas Desertas

Diário de José Manuel Pestana

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Seguindo viagem e à medida que avançávamos, menos vontade tinha de continuar, apetecia ficar por ali mesmo, ignorar o tempo e satisfazer a curiosidade até a fartar, tudo ali exala pureza, perfeição, candidez e inocência. Não consigo empregar um adjectivo que caracterize, e que me satisfaça plenamente, o encanto iminente do topo da Deserta Grande. Um outro grupo de quatro cabras espavoridas gracejam, num jogo suicida, saltando pelos penhascos. Até parece que voam!

O dia está a chegar ao fim, o mais certo é chegar à doca já de noite. Estou consciente de que as próximas horas serão investidas nos momentos que vivi durante o fascinante dia de hoje. Um momento de tristeza apodera-se do meu pensamento. Constantemente me interrogo se alguma vez terei a oportunidade repetir uma experiência como esta, nestas maravilhosas Ilhas. A estadia está a terminar, surge-me a terrível sensação de que tudo o que faço é pela última vez. Nem acredito que tudo o que vi, tudo o que vivi, os dois lobos cinzentos debaixo do pôr do sol, as barbatanas dos tubarões sob a superfície do mar, as correrias das cabras bravias, o bode rei da montanha, o pio nocturno das cagarras e dos Roques de Castro na doca, tudo o que nunca tinha visto antes, fazem a partir de agora parte do passado. O cansaço toma conta da situação.

 
   
       
       
       

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Copyright João Olival & Paulo Roldão, last update: terça-feira, 07 de Fevereiro de 2006.