Parque Natural da Madeira

 

Vigilante das Ilhas Desertas

Diário de José Manuel Pestana

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O penúltimo dia é sempre dedicado à limpeza da estação, a mais rotineira das actividades nestas paragens. Como se já não fosse suficiente a minha tristeza! O penoso serviço é interrompido pelo ruído da voz de um pescador que, via rádio, informa da presença de um Lobo-Marinho que rouba peixe dos seus aparelhos de pesca. A correria em direcção ao semi-rígido e a extraordinária sensação de voltar a ver um Lobo pela última vez, faz-me esquecer que no dia seguinte é dia de partida. Parece que a estadia ainda agora começara. De repente sinto que tudo o que vi nestas paragens, ainda estava para ver. A três milhas da costa encontra-se, indiferente a toda aquela perigosa situação, o ladrão de peixe. Fora esta ‘imperdoável’ actividade dos Lobos-Marinhos que quase os levaram à extinção. Até parece que a triste história, que em tempos remotos acabava sempre com a morte do Lobo, tenta repetir-se. Três vigilantes alimentam uma forte solidariedade pelo bandido! Todo aquele conjunto de emoções surgem-me como se nunca na vida tivesse visto um Lobo-Marinho no seu ambiente natural. O Lobo inicia o confuso jogo do aparece-esconde, deleitando-se com o apetecível e fácil banquete. Nem parece recear pela nossa presença, e ao mesmo tempo que se deixa ver de tão perto torna-se cada vez mais vulnerável aos pecados dos Homens, despertando uma temível insegurança pelo seu futuro. Hoje o Lobo ladrão sobrevive a este episódio, mas e se a cena se repete? Haverá o bom senso de comunicar a ocorrência como desta vez, ou recorrer-se-á ao mortal e cruel método muito utilizado noutros tempos? Neste filme até quando é que ladrão sai sempre vitorioso?

 
   
       
       
       

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Copyright João Olival & Paulo Roldão, last update: terça-feira, 07 de Fevereiro de 2006.