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O penúltimo dia é sempre dedicado à limpeza da estação, a
mais rotineira das actividades nestas paragens. Como se já não fosse
suficiente a minha tristeza! O penoso serviço é interrompido pelo ruído
da voz de um pescador que, via rádio, informa da presença de um
Lobo-Marinho que rouba peixe dos seus aparelhos de pesca. A correria em
direcção ao semi-rígido e a extraordinária sensação de voltar a ver um
Lobo pela última vez, faz-me esquecer que no dia seguinte é dia de
partida. Parece que a estadia ainda agora começara. De repente sinto que
tudo o que vi nestas paragens, ainda estava para ver. A três milhas da
costa encontra-se, indiferente a toda aquela perigosa situação, o ladrão
de peixe. Fora esta ‘imperdoável’ actividade dos Lobos-Marinhos que
quase os levaram à extinção. Até parece que a triste história, que em
tempos remotos acabava sempre com a morte do Lobo, tenta repetir-se.
Três vigilantes alimentam uma forte solidariedade pelo bandido! Todo
aquele conjunto de emoções surgem-me como se nunca na vida tivesse visto
um Lobo-Marinho no seu ambiente natural. O Lobo inicia o confuso jogo do
aparece-esconde, deleitando-se com o apetecível e fácil banquete. Nem
parece recear pela nossa presença, e ao mesmo tempo que se deixa ver de
tão perto torna-se cada vez mais vulnerável aos pecados dos Homens,
despertando uma temível insegurança pelo seu futuro. Hoje o Lobo ladrão
sobrevive a este episódio, mas e se a cena se repete? Haverá o bom senso
de comunicar a ocorrência como desta vez, ou recorrer-se-á ao mortal e
cruel método muito utilizado noutros tempos? Neste filme até quando é
que ladrão sai sempre vitorioso?
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