Parque Natural da Madeira

 

Vigilante das Ilhas Desertas

Diário de José Manuel Pestana

Home page
Dia 1
Dia 2
Dia 3
Dia 4
Dia 5
Dia 6
Dia 7
Dia 8
Dia 9
Dia 10
Dia 11
Dia 12
Dia 13
Dia 14
Dia 15
Contactos

 

   

Apenas conseguia ouvir o bater descompassado do músculo cardíaco e o sussurro de uma brisa muito, muito leve. O contraste de cores impressiona até à própria paisagem. Todos os penhascos, falésias e abismos do planeta estavam ali concentrados numa ilha só. Não há forças nem vontade para partir daqui. O pequeno planalto do Bugio seria um bom sítio para passar o resto da vida, aqui morria-se feliz. Uma viagem marítima, penosa e tempestiva, de regresso à Doca concede a oportunidade de saborear as embriagantes memórias retidas no majestoso Bugio, enquanto a água doce da chuva devolve ao mar as gotas salgadas empurradas pelas ondas, que constantemente nos batem na face.

 

   
 

   
 

 

Já na estação, e pela primeira vez, aquele sol poente que se afundava no horizonte naquele fim de tarde, acompanhado dos dois Lobos cinzentos, não se deixou ver. A noite penumbrosa faz recordar a viagem regelada de regresso desde o Bugio. Nem se ouvem aqueles sons misteriosos e fantasmagóricos das Cagarras e dos Roques de Castro, que tanto caracterizam o espaço nocturno da Doca, que sem qualquer justificação arrepiam a pele confundindo o frio com histórias de bruxas e vampiros e de Homens que se transformam em lobos ferozes. A imaginação é encorajada a divagar esta noite, mas por pouco tempo, o cansaço apodera-se do corpo e da alma com a maior audácia. Amanhã será outro dia épico, subiremos o lado norte da Deserta Grande pelo Vale da Castanheira, onde conhecerei a rara e endémica Tarântula das Desertas.

 
   
       

home | contactos | Parque Natural Madeira | WIPFIX

Copyright João Olival & Paulo Roldão, last update: terça-feira, 07 de Fevereiro de 2006.