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Apenas conseguia ouvir o bater descompassado do músculo cardíaco e o
sussurro de uma brisa muito, muito leve. O contraste de cores
impressiona até à própria paisagem. Todos os penhascos, falésias e
abismos do planeta estavam ali concentrados numa ilha só. Não há forças
nem vontade para partir daqui. O pequeno planalto do Bugio seria um bom
sítio para passar o resto da vida, aqui morria-se feliz. Uma viagem
marítima, penosa e tempestiva, de regresso à Doca concede a oportunidade
de saborear as embriagantes memórias retidas no majestoso Bugio,
enquanto a água doce da chuva devolve ao mar as gotas salgadas
empurradas pelas ondas, que constantemente nos batem na face.
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Já na estação, e pela primeira vez, aquele sol poente que se
afundava no horizonte naquele fim de tarde, acompanhado dos dois Lobos
cinzentos, não se deixou ver. A noite penumbrosa faz recordar a viagem
regelada de regresso desde o Bugio. Nem se ouvem aqueles sons
misteriosos e fantasmagóricos das Cagarras e dos Roques de Castro, que
tanto caracterizam o espaço nocturno da Doca, que sem qualquer
justificação arrepiam a pele confundindo o frio com histórias de bruxas
e vampiros e de Homens que se transformam em lobos ferozes. A imaginação
é encorajada a divagar esta noite, mas por pouco tempo, o cansaço
apodera-se do corpo e da alma com a maior audácia. Amanhã será outro dia
épico, subiremos o lado norte da Deserta Grande pelo Vale da
Castanheira, onde conhecerei a rara e endémica Tarântula das Desertas.
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