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Finalmente chegou o dia! Às 10:00 da manhã do dia oito de Setembro,
parte o navio patrulha “Cunene” rumo às Ilhas Desertas. Um café rápido e
uma água mineral acompanhados de um último olhar ao centro do mundo,
resumem a última miragem à maravilhosa Ilha da Madeira. Objectivo:
rendição de uma equipa de vigilantes da natureza nas Ilhas Desertas,
constituída por outros três elementos, Fernando Vieira (chefe de
equipa), Luís Ferro (amigo de adolescência) e eu. Uma viagem turbulenta
fazia ignorar todo um conjunto de expectativas fulminantes que se
seguiriam em quinze dias de uma estadia naquelas ilhas, algo
indescritível! Logo à saída do cais do Funchal, considerado por muitos,
e sem dúvida para mim, o maior e mais conceituado anfiteatro natural do
mundo, um golfinho enorme mergulha sublime e indiferente a toda a
excitação que se desenrola a bordo. O único em toda a viagem. Um
deslizar sedutor captava a minha atenção e a minha infeliz incapacidade
de o acompanhar em direcção ao fundo azul penetrante. As ondas
indispostas e insaciadas decoradas por cristas brancas, fustigavam o
navio lavando o convés de uma forma desordenada. O ponto de mira, como
se de uma arma se tratasse: as afortunadas Ilhas Desertas.
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Uma hora e meia de viagem
completadas por miragens pormenorizadas até ao horizonte, conseguiram
captar algumas Cagarras e três ou quatro Almas Negras que cruzaram o
destino, naquele dia, do “Cunene”. Finalmente aquele vulto majestoso que
admirara todos os dias, por detrás da neblina, estava ali presente, mais
perto do que nunca, as três Ilhas Desertas: o espalmado Ilhéu Chão, a
gigantesca Deserta Grande e o inacessível Bugio, todas em conjunto,
palco da maior aventura da minha vida.
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