[84] É evidente que podemos sempre confrontar inteligente com estúpido, do mesmo modo que o fazemos com grande e pequeno. Do mesmo modo, vegetal contrasta com animal, Americano com Iraquiano, etc
[88] A noção de coordenação aplicada à teoria da elipse é desenvolvida no âmbito do Blocking Principle de Williams (1997). A ideia de coordenação desempenha um papel de relevo na teoria da elipse deste autor. Aquilo a que chama elipse coordenada, um dos tipos de elipse por ele referidos, pode ser considerada legitimada pela própria estrutura coordenada --'licensed by the coordinate structure itself'--, sendo identificada pelo antecedente contextual. As estruturas coordenadas são as que têm, segundo Williams, núcleos duplos --'are double headed'. Quando o segundo núcleo é N nulo, temos uma elipse coordenada com nomes, como a formula seguinte sugere -- 0 (zero) é o núcleo da categoria elíptica:
(i) [X,0]P --> XP and 0P
(ii) [N,0]P --> NP and 0P
Para ilustrar esta regra, vejamos o exemplo seguinte:
(iii) [Eleições, 0]DP --> [eleições legislativas]DP e [0N autárquicas]DP
(iv) [As eleições legislativas]DP e [as 0N autárquicas]DP este ano coincidem
(v) As eleições legislativas e as [e] autárquicas este ano coincidem
Em (iv), o núcleo 0N deve ser entendido como idêntico ao nome com o qual forma a projecção complexa, isto é eleições; segundo Williams, na dupla [X,0], 0=X.
[89] Note-se que estes comentários vão no sentido da concepção clássica da elipse. Como vimos no capítulo primeiro, a gramática clássica associa a elipse a uma ausência tolerada por razões de redundância.
[90] Cf. Também os exemplos (19), p. 75
[92] Quando são adjectivos antónimos, a sua coordenação é agramatical, mas não a de DPs: podemos concluir que a coordenação de adjectivos é semanticamente arbitrária, embora seja sintacticamente regular:
(i) os programas novos e os velhos (ii) * os programas novos e velhos
[100] Estes exemplos são um teste objectivo às propostas da existência de projecções funcionais como OrdP, RelP, etc.
[103] Podemos também evocar de novo os exemplos discutidos por Zribi-Hertz (1985), apresentados no capítulo 2, que aqui são de novo referidos, e que considero paralelos a (144). Como foi dito, o uso do adjectivo antigo pode ser considerado marginal porque implica informação não esperada --não redundante.
(i) O João comprou o livro verde e o [-] vermelho (ii) ? O João comprou o livro verde e o [-] antigo
[106] Cf. também p.21 a noção de elipse zeugmática, desenvolvida por Zribi-Hertz (1984).
[107] Pode não ser binário, mas superior: é o caso com adjectivos ternários: inferior, médio, superior, ou frio, morno, quente, etc.
[108] Cf Lyons (1977), que fala em contrastes binários (p.231)
[113] Em Português, é duvidoso que em os verdes, tenhamos um adjectivo: repare-se que a expressão de grau não é compatível com os verdes, assim como com qualquer nome pleno:
(i) * os muito verdes manifestaram
[114] Não é o caso, no entanto, para todos os adjectivos: os interessantes não corresponde, penso eu, a nenhuma nominalização. Provavelmente, só os DPs elípticos em que o nome vazio é identificado por um adjectivo que denota um tipo ou um grupo humano estável podem ser nominalizados como DPs plenos.
[115] Um prolongamento desse tipo de lexicalização é a elipse do nome próprio, nomeadamente na imprensa. Veja-se no jornal Público o seguinte título:
(i) "A Marguerite -- não, não se trata nem da Duras, nem da Yourcenar"
Podemos considerar que esta frase obedece a critérios de simetria, mas o que aqui motiva a construção elíptica deve ser seguramente a notoriedade dos indivíduos referidos, cuja identificação é recuperada por meios pragmáticos.

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