Hoje é o dia de amanhã…
O dia de amanhã é hoje…
Um suspiro enquanto o tempo passa e respiro
Um pensamento irrompe dentro de minha alma
Uma decisão tem que ser tomada
O tempo passa e fica um vazio
Um vazio que cresce e o tempo não para
O relógio anda e não para
O som do vento lá fora nas folhas das árvores
Os gritos vivos dos miúdos a brincarem lá longe
O chilrear dos passarinhos em frente à janela
Um momento que para o coração
Uma dor de indecisão
Uma mágoa que fica impressa no tempo
Um sorriso esquecido na imensidão do vazio
Lágrimas de dor que brotam da alma…
Um abraço que não consegue abraçar a imensidão do vazio que
cresce…
Ah… como eu gostaria de ver novamente o sorriso
Hoje é o dia de amanhã…
O dia de amanhã é hoje…
Um olhar vazio de quem foi vencido…
Vencido pelo vazio da existência de um ser sem destino…
Agarro-me a ti tempo!
Ah… mas tudo é em vão
O tempo passa e não volta
Apenas o pó remanescente daquilo que o tempo consegue
apagar!
Hoje é o dia de amanhã…
O dia de amanhã é hoje…
Serei eu capaz de passar por ti tempo?
Serei eu capaz de voltar a ver com a alma?
… o tempo passa e os sons apagam-se…
… o vento sopra acompanhado de um trovão…
… as folhas sussurram o destino de quem lhes toca…
… o vento sopra e uma folha cai e voa…
… perdida na imensidão do vazio a folha cai…