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Uma das minhas preferidas é “Esta frase não verbo”. Pertence a uma família de expressões que se referem a si próprias. Hofstadter chama-lhes frases auto-referenciais.

Esta frase sofre ! de pontuação precoce” é outro exemplo da mesma astúcia. A frase contém em si mesma a característica descrita pelas palavras que a compõem. Oferece, de mão beijada, inesperadamente, um exemplo daquilo que o seu texto refere. Ou será o texto que refere o que é essencial (e aberrante) na frase?

E já que estamos a falar de pontuação, vem a propósito este exemplo mistificante: “Esta frase não é uma pergunta, mas termina com um ponto de interrogação?”. Afinal, em que ficamos? A frase mente, e coloca mesmo uma pergunta? Ou o ponto de interrogação está ali apenas para confirmar o que a frase promete? Esta frase, além de auto-referencial, é perversa. Coloca-nos um dilema insolúvel.

Esta esta frase frase repete repete todas todas as as palavras palavras” é outro exemplo de auto-referencialidade, manifestamente menos elegante. Não admira, saiu da minha “prodigiosa” imaginação!

Esta outra, apesar de também ter sido criada por mim, é mais airosa: “Eis aqui de noite águas passadas todos os três gatos não movem frases são misturadas pardos moinhos”.

Qual o segredo deste meu inesperado sucesso? Limitei-me a plagiar o método que levou à criação de “This is to be or actually not two sentences to be, that is the question, combined”, que Hofstadter atribui a David Moser.

Algumas frases estão na fronteira entre o auto referencial e o neurótico. Gosto em especial deste exemplar, que alterei ligeiramente: “esta frase hesita – ou melhor – bom na verdade até é afirmativa, ... a não ser que...

Há pelo menos um provérbio português que sugere naturalmente uma frase auto-referencial: “Para bom entendedor meia palavra bas”. É curioso notar que a frase sai prejudicada se a auto-referenciação for levado demasiado longe. Vejamos: “Pa bo enten me pala ba”. Não, não resulta. O exercício não pode ser mecânico. É preciso que a frase tenha ritmo, musicalidade, fluidez.

Ou então, que nos surpreenda quando de repente percebemos onde é que ela quer chegar. Vejamos este espécime:

                        ea ae ão e ooae  ?

Deixada sozinha, ali na linha de cima, é difícil de entender, não é? Mas com a ajuda desta irmã,

                        st frs n tm vgs

tudo faz mais sentido (ou continua a não fazer?). O conjunto é, neste caso, mais interessante do que a soma das partes.

Embora à primeira vista não pareça, a frase seguinte reproduz o mesmo tipo de surpresa: “Esta frise contém exactalmente três erros”. Algumas pessoas procuram perplexas o sentido desta frase, e têm dificuldade em encontrá-lo. Mas vale a pena persistir, até ver.

E já que estamos a falar de erros, “Xta fráze xtá xcrita num protuguez makarronico”. Pois está!

Esta outra parece uma algaraviada indecifrável, mas só por pouco tempo. O sentido, e a auto-referenciação revelam-se mais depressa e mais facilmente do que pode parecer à primeira vista: “atierid a arap adreuqse ad, ebará arienam à atircse átse sêugutrop me esarf atsE”.

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