O retrato de monstros na prosa de cordel do século XVIII: tipologias e estratégias textuais

 

 

RESUMO

 

Partindo da ideia de que os folhetos de prosa de cordel do século XVIII por nós estudados obedecem, genericamente e com poucas variações, a um modelo narrativo repetitivo[1] composto por fases fixas e outras variáveis, pretendemos, neste nosso estudo, levar a cabo a análise de uma dessas fases mais reiteradas, que designámos como descrição pormenorizada do monstro, na tentativa de perceber se os processos utilizados na construção desse retrato também são de alguma forma homogéneos, funcionando, desta forma, como mais um traço característico desta família particular de folhetos de cordel (os relatos sobre monstros).

Assim, partindo de um corpus textual fixo, composto por vinte e três folhetos, dezasseis dando conta de aparições ocorridas no estrangeiro e sete sobre monstros que foram vistos em Portugal, analisaremos não só as características comuns a todos estes monstros – a comparação parcial com outros animais, a indefinição da espécie, a referência às conchas que cobriam parcialmente ou na totalidade o corpo do animal, os pormenores relativos ao tamanho e às medidas e as interpretações de carácter simbólico – mas também as estratégias textuais actualizadas para dar conta destes e de outros elementos que compõem o retrato dos monstros.

Sempre que for pertinente, terá que ser feita alusão a outras características destes folhetos, nomeadamente no que diz respeito àquilo que os particulariza e que, entre outros aspectos, tem a ver com a contextualização cultural e histórica do fenómeno da literatura de cordel.

Também não deixaremos de referir a importância da localização no modelo narrativo destes segmentos textuais, muito mais próximos do final do que do início do folheto, nem a questão da presença de imagens que apoiam as descrições efectuadas e que aparecem em dezasseis dos vinte e três folhetos que compõem o nosso corpus. Parece-nos, aliás, que a questão do grafismo do próprio folheto seria, a par do o relato propriamente dito, um factor importante a ter em conta no que toca à especificidade e também à funcionalidade (até do ponto de vista social e pedagógico) destes textos.  

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[1] Constituído pelas seguintes fases: introdução, localização espacial, localização temporal, introdução do(s) elemento(s) monstruoso(s), ataques/consequências da acção do monstro, preparação do ataque ao monstro, ataque(s) ao monstro, ataques/consequências da acção do monstro, invulnerabilidade do monstro, captura/morte do monstro, descrição pormenorizada do monstro, indefinição da espécie, interpretações "simbólicas", referências a outros monstros e conclusão.  


REFERÊNCIA

 

RAMOS, Ana Margarida (2001): «O retrato de monstros na prosa de cordel do século XVIII: tipologias e estratégias textuais», in L. M. ABREU, e A. J. R. MIRANDA (coord.): O Discurso em Análise -  Actas do 7º Encontro de Estudos Portugueses, Aveiro, Associação Labor de Estudos Portugueses / Centro de Línguas e Culturas da Universidade de Aveiro, pp. 161-175

 

(ISBN 972-789-048-2)