A literatura de cordel portuguesa do século XVIII e a crónica do seu tempo:

os fenómenos naturais catastróficos

 

 

RESUMO

 

Do vasto panorama que a literatura de cordel em prosa do século XVIII oferece, surpreendem algumas criações com pretensões de factualidade, como as “relações de sucessos” e os “relatos”, a que se juntam, com muito frequência, as “notícias” e os “casos”. Assim, podem encontrar-se, dentro deste grupo, textos relativos a acontecimentos históricos; a fenómenos naturais; a milagres; a passos da vida de personagens célebres; a crimes; ou ainda ao aparecimento de monstros ou seres estranhos.

Neste quadro, é objectivo deste estudo proceder a uma leitura de relações de sucessos sobre fenómenos naturais, na tentativa de descobrir não só um modelo narrativo comum, mas também estratégias discursivas idênticas, valorizando o seu carácter excessivo, destruidor e espectacular. Identifica-se a interpretação simbólica e prodigiosa dos fenómenos, que contribui para a caracterização da sua leitura, e considera-se a descrição de cataclismos, pelas consequências negativas que produzem, como uma das temáticas mais comuns nos folhetos de cordel do século XVIII, constituindo-se, inclusivamente, como um subgénero dotado de alguma autonomia. Conjugando cientificidade e maravilhoso, crónica e ficção, estes textos permitem perceber alguns dos interesses dos leitores seus contemporâneos, ao mesmo tempo que estabelecem pontes com a imprensa e com o discurso epistolar e com outras temáticas e géneros da literatura de cordel.

 

REFERÊNCIA

 

(no prelo)