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Sobre Introdução à Hermenêutica

Maria João Cantinho

[Publicado originalmente in Storm

 http://www.storm-magazine.com/novodb/arqmais.php?id=180&sec=&secn]

Na falta de livros de qualidade assinalável sobre a questão da hermenêutica e da crítica, o de Rui Magalhães vem finalmente colmatar uma falha, proporcionando aos leitores o prazer de uma introdução numa área cada vez mais difícil e complexa, pela diversidade de autores e escolas que a atravessam. Começando, assim por uma introdução em que coloca a questão do lugar do problema hermenêutico no pensamento actual, abordando as várias "nuances" dessa problemática, o autor dedica a segunda parte do livro à Hermenêutica propriamente dita e à compreensão desta como problema ao longo dos vários períodos, desde a hermenêutica cristã até ao programa epistemológico de W. Dilthey. O segundo capítulo desta primeira parte debruça-se sobre as perspectivas mais centrais da hermenêutica moderna e ontológica, isto é, de Heidegger e de Gadamer. O terceiro capítulo desenvolve as teses e consequências da discussão gerada no seio da hermenêutica ontológica, passando pela crítica de Jürgen Habermas ao acriticismo de Gadamer, pela crítica ao relativismo e pela perspectiva hermenêutica de Ricoeur.

A
segunda parte deste livro é, toda ela dedicada àquilo a que o autor chama a Não Hermenêutica e que compreende todas as perspectivas desconstrutivas (desde Nietszche a Derrida), o pragmatismo de Rorty e de Barthes e, finalmente, o capítulo 4 é, todo ele, dedicado à arqueo-genealogia de Michel Foucault.

Na
conclusão do livro, é feito o balanço de todas estas perspectivas, questionando os problemas da interpretação e da auto-representação, so sentido.

Trata-se,
sem dúvida, de uma obra extremamente cuidada e rigorosa, em que a articulação dos temas e o questionamento se faz sempre de uma forma clara e objectiva, sem resvalamentos de qualquer espécie. E ressalte-se a importância da questão nos dias que correm, como o próprio autor o adverte, sendo a interpretação hermenêutica uma “pedra de toque” da filosofia e da literatura, assumindo uma boa quota parte das suas questões teóricas.

Como o autor o afirma, “o objectivo central deste livro é o de conciliar dois objectivos distintos e dificilmente conciliáveis: por um lado, apresentar uma síntese da hermenêutica filosófica, por outro, apontar os limites da concepção tradicional e tentar abrir o campo hermenêutico aos contributos teóricos de autores exteriores ao espaço hermenêutico, como Foucault e Derrida, viabilizando, assim, uma outra hermenêutica capaz de responder aos desafios do nosso tempo”. (v. contracapa).

Destinada ao
público em geral, torna-se um objecto privilegiado na mão de estudantes, para quem a necessidade de uma panorâmica geral da interpretação crítica e hermenêutica se torna indispensável.

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